Depilação e massagens durante a pandemia (E o tal decreto do Presidente sobre salões de beleza, barbearias e academias)

Por causa de dúvidas nesse sentido, e também em função do decreto do Presidente sobre incluir academias, salões de beleza e barbearias como serviços essenciais, resolvi escrever esse post me manifestando e também esclarecendo algumas coisas.

Minha opinião – e não “devoção” – política

E antes de tudo, devo dizer que não tenho partido. Não votei no Bolsonaro, nunca votaria nele na minha vida – opção minha -, mas também não sou petista, não sou da campanha “Lula Livre” ou fã do Lula ou de qualquer outro político, pra falar a verdade.

Acho que se ele – o Lula – roubou, – o que parece que está bem claro, só não vê quem não quer -ele tem que ficar preso mesmo, assim como todos os políticos corruptos, aliás, não é querendo minimizar o fato não, mas acho que devemos pensar também que, muitos dos corruptos que estão presos ou que foram presos merecem sim continuar presos, mas há muitos outros que estão soltos por aí que nem por isso deixam de ser corruptos, são apenas corruptos que ainda não foram descobertos, ou que tiveram mais esperteza ou poder para esconder suas falcatruas.

Sem passar pano, por favor. Tinha muita corrupção no Governo do Lula, Dilma e adjacências? Cadeia neles. Só que isso não significa que apenas eles eram corruptos. Cadeia em todos.

Bicho, pensa num negócio: para uma pessoa chegar lá em cima, lá em cima do poder, ela muito possivelmente precisou pisar na cabeça de muita gente, dar benefícios e privilégios para uns – aos quais lhes interessavam – e, ao mesmo tempo, tirar benefícios e privilégios de outros, simples assim. Aí quem recebeu benefícios e privilégios diz “ó, que Governo maravilhoso”, porque foi beneficiado, e quem se ferrou vai achar que aquilo foi uma grandessíssima merda. E nessa coisa de avaliar o que é bom ou ruim, nunca entraremos num consenso porque, na maior parte das vezes, as pessoas só olham para o próprio umbigo.

Porque sim, podemos acusar os políticos de corruptos, e esconder o quanto que nós também somos corruptíveis. Vejo muita gente aos berros, batendo no peito, chamando Lula de ladrão – em momento algum estou dizendo que estão errados -, mas, muitas dessas pessoas, também não são os melhores modelos de honestidade porque, quando lhes cabe algum benefício, duvido que alguém vai dizer “ah não, não me dê esse benefício, dê para aquele outro ali que é mais pobrezinho do que eu”.

Independente de qual é o político que está no poder, quando chega um benefício para a sua classe, você pensa “nossa, que político bom”, mas você não olha para a outra classe que não recebeu benefício nenhum, ou que foi prejudicada.

Quer saber de uma coisa? Você acha que alguém está pensando no pobre? Você acha que esse alarde todo em volta do Coronavírus é por causa de uma grande preocupação com as pessoas mais vulneráveis? A maior pressão vem das empresas que estão perdendo bilhões, estes sim estão se sentindo prejudicados, estão arrancando os pêlos do ânus à pinça de tanto desespero, ninguém está querendo saber do povo pobre que pode morrer, ou do povo pobre que, ao ser contaminado, só terá como opção o SUS, não terá como se isolar porque vive numa casa pequena no alto da favela com mais sei lá quantas pessoas em casa.

Aconteça o que acontecer, o rico pode perder uns bilhões mas continuará comendo salmão, continuará sem saber o que é ter o serviço público de saúde como sua única opção, continuará sem saber o que é faltar arroz com feijão na mesa. Aí vocês ficam todos aí, puxando o saco de políticos – Bolsonaro, Lula, Dilma, o que for – como se fossem deuses, como se fossem os donos absolutos da verdade, mas no prato deles não falta comida não.

Não estou dizendo que nenhum político presta, ou que odeio todos os políticos. Na vida há pessoas boas e pessoas más. Há massoterapeutas bons e massoterapeutas maus, garçons bons e garçons maus, advogados bons e advogados maus, políticos bons e políticos maus. Há, inclusive, pessoas que entram na política cheia de idealismos e de sonhos, que são movidas por este sonho de oferecer serviço à população. Alguns deles ingenuamente, inclusive, sem saber da grande engrenagem que manipulará seus atos e os seus ideais mais nobres e altruístas.

Eu compreendo perfeitamente que o Bolsonaro vive debaixo de muita pressão, porque tem muita oposição, uma oposição fortíssima. Eu consigo ver que o homem – o Presidente – não consegue fazer nada, porque, quando ele pensa que está dando dois passos para a frente, vem alguém criticando o que ele fez, o que o obriga a dar três passos para trás.

Compreendo também – e sinto até alguma pena dele ao dizer isso – que, quando chegou no poder, esse homem só pegou “rabuda”. Bicho, pensa no ano passado, foi só tragédia atrás de tragédia, como dá para um político pensar em fazer algo, ou em dar prosseguimento a algo, se constantemente acontece alguma emergência que o obriga a parar tudo aquilo que estava fazendo?

E agora, além de todas as tragédias do ano passado, vem o Coronavírus que é algo inédito, nenhum outro presidente teve que lidar com uma situação dessa, é algo novo, completamente novo.

Se não me falha a memória – sim, ela pode falhar e pode ser que eu esteja dizendo besteira -, no ano passado, neste mesmo mês, a preocupação do Presidente era o povo indo à rua para reclamar dos cortes para a Educação, aí ficava aquela guerrinha estilo quinta-série, uns num dia reclamando dos cortes na Educação, outros num outro dia indo pra rua pra apoiar o Presidente, tipo “vamos ver quem ganha em número de público ou em quem se cansa mais rápido”. E agora, um ano depois, essa pandemia, e se tem uma vantagem para os políticos nisso – eu sei, um deboche desnecessário – é que com a pandemia as pessoas já nem podem ir à rua para fazer manifestação, seja contra ou a favor de qualquer coisa.

Ou seja, consigo compreender tudo isso. Só que, quando a gente critica alguma coisa do Bolsonaro – coisas que eu por exemplo criticaria em qualquer outro presidente ou partido -, muita gente vem achar que é conspiração, e não é, é sensatez, é ter senso crítico, é não fechar os olhos e nem ser convivente com aquilo que não me parece justo e nem mesmo inteligível.

E com este olhar frio de quem não tem partido e nem endeusa políticos, que digo que o Bolsonaro tem sido sim, muito insensível e também irresponsável em relação ao Coronavírus. E o que estou falando dele falaria de qualquer outro político que fizesse o mesmo.

O Coronavírus na Europa, segundo as minhas amigas

A recomendação da OMS é clara: não saia de casa. Muita gente já morreu, e muita gente vai morrer ainda. Espero que não seja você e nem eu.

Tenho conversado com as minhas amigas que moram na Europa. (Como alguns já sabem, tem mais de 2 meses que não assisto tv, para não contaminar a minha vibração energética; minhas fontes de notícia são os sites da internet e, principalmente, as pessoas que conheço pessoalmente, que me contam sobre como estão as coisas de fato e o impacto na vida delas).

A minha amiga que mora em Portugal, com quem falo diariamente, me contou que Portugal foi o país com menos infectados na Europa. Que o número de infectados está diminuindo e que pouco a pouco já começa-se a ver uma previsão de que as coisas voltem à “normalidade” (com muitas aspas, porque sabemos que nada vai voltar a ser como antes, fora que, o que precisamos, não é voltar a ser como antes, mas voltar melhores do que antes). Salões de beleza, por exemplo, voltaram a abrir faz poucos dias (com todos os cuidados e com muitas restrições, entra uma ou duas clientes por vez), isso porque os índices estão apontando para a diminuição do vírus. Porém, o Governo diz que não terá medo de voltar atrás: se notar que essa diminuição nas mortes e infectados não continua, volta a fechar tudo de novo. Humildade. Sensibilidade. Responsabilidade. Só estão abertos porque os gráficos indicam essa diminuição, mas, se aumentar, é pedir desculpas e corrigir, fechar tudo de novo, ao invés de fingir que não teve culpa nenhuma, estilo “E daí? Vão morrer mesmo”.

A minha amiga da Suíça me diz que já quase não existe o vírus por lá. Que as pessoas já estão voltando ao trabalho, que algumas crianças já estão voltando às escolas. A única coisa que está terminantemente proibida, neste momento, é viajar. Afinal de contas, se alguém viajar, poderá trazer de novo o vírus de um país ainda infectado. Então, nada de viajar por enquanto. Mas a situação está melhor, bem melhor, já não vivem apavorados como no princípio. E se houve essa evolução, e se hoje estão todos mais tranquilos, é porque se cuidaram muito bem no início, quando tudo começou.

Só que, aqui no Brasil, se passa o contrário. La viram que o número de infectados foi só diminuindo e por isso resolveram ir voltando aos poucos com algumas atividades. Aqui, o número de infectados e de mortos só aumenta e o Presidente vem dizer para abrir salões, barbearias e academias, e, se alguém morrer, “E daí, vai morrer mesmo, o que quer que eu faça?”

Dia desses um conhecido meu veio falar comigo no direct do Instagram e fiquei em choque. Ele me dizendo que todos vão se contaminar, só não será tudo de uma vez, está sendo aos poucos, gradualmente, mas no fim todos têm que se infectar porque, se todos não se infectarem, o vírus não vai embora. Achei estranho porque era a segunda vez no dia que ouvia a mesma coisa estapafúrdica de uma pessoa diferente. Como não assisto tv, estava por fora da fala do Presidente.

Como assim? Não estão vendo como estão acabando com o vírus em outros países? Não estão vendo as medidas que estão tomando para acabar com o vírus em outros países? Por que aqui tem que ser diferente? Por que aqui tem que todo mundo se infectar?

Não descartando quaisquer qualidades que o presidente possa ter, venhamos e convenhamos: ele não é dono da verdade, ele não é médico. Ele só é, como o próprio se define, alguém com “histórico de atleta”. Desculpe, senhor presidente, mas nem todo mundo aqui tem histórico de atleta não. Aqui uma boa parte se alimenta mal, e daquilo que come, quando come, vem tudo com agrotóxicos. Aqui uma boa parte depende do SUS, ao contrário do senhor. A maior parte de nós não pode se gabar de ter a melhor saúde do mundo, com uma imunidade perfeita, porque nossa qualidade de vida não pode ser comparada à qualidade de vida que os mais privilegiados têm.

Se na Suíça fizeram todos os esforços para que agora a situação esteja começando a se normalizar, deveria significar que, aqui no Brasil, deveríamos fazer o dobro de esforços, até porque deveríamos levar em consideração de que o Brasil não é a Suíça, lá ninguém anda em ônibus parecendo uma sardinha em lata, ou tem que conviver com tanta aglomeração como aqui. E não disseram que o vírus não sobreviveria ao calor? Então por qual razão que na Suíça o vírus está acabando enquanto que aqui está só aumentando?

“Mas se o povo não morrer de Corona, vai morrer de fome”, me disseram, e isso também é uma grande verdade, porque, quando a comida acaba, todo mundo começa a entrar em desespero querendo começar a trabalhar (se bem que, no caixão, não importa muito quanto dinheiro você ganhou e, mesmo que não morra, o dinheiro que ganhou pagará o tratamento ou os gastos com o isolamento de alguém que não vai querer infectar a sua família mas que não tenha outra opção de um lugar para ficar?). Porque enquanto que muitos países logo ofereceram ajuda para que as pessoas ficassem em casa, aqui no Brasil o auxílio emergencial está uma tremenda bagunça. Alguns já receberam, muitos não receberam ainda. Inclusive, muita gente que não precisava já recebeu também, eu precisaria de um novo textão só pra falar dos casos que conheço, aí vão me dizer que não existe corrupção, que todo mundo é honesto, bora lá colocar a culpa no Lula como sempre porque é mais cômodo. Ou seja, se o pobre fosse prioridade, não estaria essa enrolação toda para pagar o auxílio, e não vem me dizer que o Governo não tem dinheiro, porque, quando é do interesse, surge dinheiro do Brasil até para oferecer ajuda internacional, por que não pedir ajuda agora? O Trump, de quem se puxa tanto o saco, é com certeza um grande administrador, um homem que sabe multiplicar dinheiro, mas nada humanista. E com o Corona, de que vale todo esse dinheiro, e essa preocupação com milhões e bilhões, quando as pessoas estão morrendo? Quantas mais precisam morrer? Parece que, só quando morrerem pessoas das suas próprias famílias que as pessoas entenderão a gravidade da situação.

Meu trabalho como massoterapeuta e depiladora

Falar sobre o meu trabalho como depiladora e como massoterapeuta é um pouco diferente de falar de salões, porque meu serviço é individual e individualizado, ou seja, eu trabalho sozinha, para mim, e atendo apenas um cliente por vez, não há aglomeração em hipótese alguma, nem mesmo sala de espera, porque minhas marcações são feitas com 2 dias de antecedência. E estou dizendo isso como algo padrão mesmo antes da pandemia.

Mas quer dizer que não tem risco, risco nenhum? Quer dizer que eu poderia atender de boa, que eu não precisava ter ficado de quarentena já há mais de 2 meses? Analisemos!

Vou começar falando sobre a depilação:

  • Com pandemia ou sem pandemia, o material é todo esterilizado e os produtos são descartáveis;
  • não trabalho num salão movimentado, onde entra e sai gente o tempo todo. Trabalho na minha casa, meu atendimento é individual, tudo sempre com hora marcada com 2 dias de antecedência, e, mesmo com hora marcada, nunca é um cliente praticamente a seguir ao outro;
  • tenho álcool gel e máscara e, com pandemia ou sem pandemia, utilizo luva para fazer a depilação e a maca é sempre coberta por um papel descartável, que é jogado fora logo terminado o atendimento;
  • mesmo antes da pandemia, já morava sozinha, saio pouquíssimo, 90% do meu convívio se resume aos meus cachorros.

Agora, sobre a massagem:

Bem, a massagem é uma coisa um bocadinho mais complicada, porque envolve toque. Se a OMS não aconselha nem o aperto de mãos, imagina então uma massagem!

E massagem não é algo – pelo menos a maior parte delas – que eu possa fazer com luvas, ou seja, sem ter contato da minha pele com a pele do cliente.

Levando em consideração tudo o que falei acima a respeito da depilação, em relação à massagem, posso atender apenas no caso de duas massagens relaxantes, que são a vibroterapia e a massagem com pedras quentes, porque ambas posso fazê-las utilizando luvas descartáveis. No caso da vibroterapia, se trata de um aparelho profissional de massagem, que funciona com vibração e infra-vermelhos – falei sobre esse aparelho aqui e até recomendo a compra dele para o caso de quererem fazer automassagem em casa -, os adaptadores que entram em contato com a pele são esterilizados antes e depois de cada atendimento, no caso das pedras idem. Não cito aqui a bambuterapia porque não sabemos se esse vírus não penetrará na madeira, por isso não estou incluindo a massagem com bambus, apesar de também ser uma massagem que eu poderia fazer utilizando luvas.

Claro que, ao falar isso com as pessoas que me procuram pedindo uma massagem, ninguém se anima, dizendo que o que querem é a tal massagem convencional com o contato da mão, mas eu tinha que fazer esse post para esclarecer.

Qual o risco?

Não creio que uma pessoa possa se contaminar fazendo a depilação aqui, dado o que referi acima (materiais descartáveis, uso de luva e de máscara, atendimento de um cliente por vez com hora marcada, etc), mas claro, uma pessoa pode já vir da rua trazendo esse vírus (mesmo sem saber). Daí, como durante a depilação usarei luva e máscara, material será esterilizado antes e depois, produtos são descartáveis e etc., esse vírus não passará para mim ou para o meu material, porém poderá ficar pela minha casa por onde a pessoa tocou, o que vai requerer de mim um cuidado maior, passando álcool gel em todos os lugares por onde a pessoa possa ter tocado. Levando em conta que só atendo por hora marcada, e que nunca é um cliente depois do outro, tenho tempo suficiente para fazer toda essa limpeza antes e após a saída do cliente.

Em relação à massagem com vibroterapia ou pedras quentes, é o mesmo. Não enfio a mão no creme para passar na pessoa, e depois volto com a mesma mão nesse creme contaminando-o. Utilizo uma pinça descartável para pegar esse creme, já o óleo basta pingar sem haver contato.

Todavia, mesmo com todos esses cuidados, ainda há o risco sim de a pessoa já vir com esse vírus, seria e é de total irresponsabilidade qualquer pessoa garantir a 100% que está livre do vírus, porque não está.

As pessoas chegam no supermercado e tentam – quando é possível – manter um distanciamento de um metro e meio, mas tocam em coisas que não sabem se estarão contaminadas. Ao contrário das pessoas que moram sozinhas como eu- que creio ser uma minoria no país -, a maior parte das pessoas têm famílias, ou seja, no mercado até podem ter um distanciamento de um metro e meio das outras, mas quando chegam em casa estão todos perto – como seria possível o contrário, quando a maior parte das casas são pequenas? -, ou seja, você até pode garantir que se cuidou, que usou máscara, que passou álcool gel nas mãos sempre que foi à rua, mas você não pode garantir o mesmo em relação a todos os que moram com você, porque você não esteve com eles 24h por dia.

Sou aquele tipo de pessoa que gosta de trabalhar, que ama trabalhar, que é viciada em trabalho. Está difícil para todo mundo, todo mundo tem conta para pagar. Mas qual o impacto da declaração de um presidente, que afinal é o nosso representante maior? Mesmo com a consciência do vírus, uma hora nos veremos obrigados a trabalhar, afinal o presidente mandou. Se ele mandou, não estamos trabalhando porque não queremos, porque somos vagabundos, porque queremos mamar nas tetas do Governo (como se o Governo já tivesse me dado alguma coisa nesse tempo). Vai chegar uma hora que começará a pressão, seja por parte dos clientes, seja lá por onde for, porque, se todo mundo está trabalhando, se até os salões lotados estão funcionando, por que você não está?

Mesmo usando luvas, já pensou no quanto é mais complicado tirá-las? Porque se você tira uma luva com uma mão, e com a mão sem luva vai tirar a outra que está com luva, se essa luva entrou em contato com a pessoa que atendi, e se essa pessoa estava infectada – mesmo sem saber, claro -eu acabei de entrar em contato com o vírus.

Por isso que o ideal, o ideal mesmo, era só voltar a trabalhar quando tudo estivesse seguro. Quanto mais serviços são tidos como “essenciais” – quando de verdade nem são, porque ninguém morre por falta de massagem, tem gente que nunca fez uma massagem na vida e nem por isso morreu -, maior a circulação de pessoas, maior a propagação do vírus.

Comparo o Coronavírus com a questão do HIV – com a diferença de que o HIV se pega por agulhas infectadas e relações sexuais desprotegidas e de também não ser um vírus que se pega através do contato social. Comparo no sentido de as pessoas sempre baterem no peito que não têm nada, mesmo quando nunca fizeram um exame de sangue. Porque, se eu caísse nessa conversinha das pessoas de que dizem que não têm nada, hoje aos 40 anos eu estaria cheia de doenças e com no mínimo uns 9 filhos pra criar.

Em relação ao Corona, claro que a procura pelos meus serviços reduziu logo, e não foi de agora, foi logo no princípio. Não é só por causa do Corona em si, mas porque, quando há qualquer tipo de crise, todos os serviços considerados não-essenciais são os primeiros que são prejudicados. Claro, se a sua renda está ou vai ser comprometida, não faz sentido você agora ir fazer uma massagem, mas sim comprar arroz com feijão, pagar aluguel. etc. E mesmo quando a questão não é financeira, o fato é que estaremos preocupados com questões muito mais primordiais do que se a raiz do meu cabelo já está precisando de pintar ou se a depilação está em dia. Que eu saiba, nunca ninguém morreu por não ter feito as unhas.

E um detalhe: em tempos de Corona, dólar altíssimo, alguns produtos até em falta, trabalhadores da estética precisarão aumentar o valor dos seus serviços porque os produtos agora estão mais caros também.

Quando se fala em serviços essenciais e não-essenciais, creio que eu e o senhor presidente não entramos num acordo. Muito possivelmente porque eu e ele viemos de situações de vida muito diferentes. Eu sei por exemplo o que é passar fome, ele eu já não sei se sabe o que é isso. Claro que a atividade física é importante, mas ninguém precisa exatamente da academia para isso, quem precisa da academia aberta são os donos dela e os seus profissionais. Vamos fazer ginástica em casa? Tem um monte de gente fazendo live ensinando. Barbearia? E vocês não notaram que os homens brasileiros ficaram bem mais bonitos depois que veio a moda das barbas, e que até uns homens que eram feios começaram a ficar bonitos com isso? E mesmo que fiquem feios, ficar feio não mata ninguém, ou mata?

Prosperidade não é ter dinheiro. Há pessoas que são ricas mas a única coisa que possuem é o dinheiro. Ter dinheiro de nada serve se lhe falta o fundamental. Você pode ter dinheiro e não ter prosperidade. Este é um novo tempo para avaliarmos isto.

O que não compreendem é o seguinte: a ideia de privar as pessoas do não-essencial não é para castigá-las, é para não aumentar a propagação do vírus e, consequentemente, podermos estar livres dessa situação o quanto antes possível, tal como já está começando a acontecer em outros países.

Posso sim, atender as pessoas como antes, porque aqui não tem aglomeração, porque os materiais são descartáveis, porque todos os cuidados são tomados, e no caso da massagem porque tenho a opção da vibroterapia. Mas, mesmo com o decreto do presidente, se eu voltar a atender como antes, comunico aqui que, terminantemente, enquanto o vírus no Brasil não acabar, me recusarei a atender na minha sala pessoas com mais de 60 anos de idade. Não é nada contra vocês, muito menos um preconceito, pelo contrário, um ato de amor e de proteção. Apenas não quero ser mais uma dessas pessoas que num momento crítico como este as estimula a sair de casa. Considero que a massagem e a depilação são muito importantes sim, mas, como ninguém morre por falta disso, não são essenciais, a meu ver. E não sendo essenciais, este é o meu posicionamento.

Sugestão do Google pra você :

Autor: paoladebalzac

Multipotencial, faço cursos novos o tempo todo e tenho muitas profissões. A vida para mim é ampla e cheia de possibilidades. Trabalho presencialmente como massoterapeuta e depiladora, além dos meus trabalhos online com cursos para desenvolvimento profissional. Tenho também um blog pessoal onde falo sobre literatura, viagens e cachorros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *